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Cidadania

Reciclagem e descarte correto do lixo: guia prático

Por Equipe Instituto AMA · Publicado em

Ilustração da matéria: Reciclagem e descarte correto do lixo: guia prático

Todos os dias, cada um de nós produz lixo: embalagens, restos de comida, papéis, pilhas, roupas velhas. O que fazemos com tudo isso depois que sai da nossa mão faz muita diferença para a cidade, para a natureza e para a vida de muitas pessoas.

A boa notícia é que separar e descartar corretamente é simples, não custa nada e cabe na rotina de qualquer casa. Nesta matéria você encontra um guia prático para começar hoje.

Por que separar o lixo importa

  • Menos lixo nos aterros: o que é reciclado não ocupa espaço nos aterros sanitários, que estão cada vez mais cheios.
  • Menos poluição: o lixo descartado de forma errada entope bueiros, causa enchentes, polui rios e mares e atrai ratos e insetos.
  • Economia de recursos: reciclar papel, plástico, vidro e metal poupa árvores, petróleo, água e energia.
  • Trabalho e renda: milhares de catadores e cooperativas vivem da reciclagem. Um material bem separado chega limpo até eles e vale mais.

Antes de reciclar: os 5 Rs

Reciclar é importante, mas é a última etapa. O melhor lixo é aquele que nem chega a existir:

  • Repensar: eu realmente preciso comprar isso?
  • Recusar: dispense sacolas, canudos e brindes que você não vai usar.
  • Reduzir: prefira produtos com menos embalagem e refil.
  • Reutilizar: potes, vidros e caixas podem ganhar uma nova função.
  • Reciclar: o que sobrar, separe corretamente.

Em casa, comece pelo básico: seco e úmido

Não é preciso ter cinco lixeiras coloridas. Para começar, bastam duas:

  • Seco (reciclável): papel, papelão, plástico, vidro e metal, sempre vazios e sem restos de comida.
  • Úmido (orgânico e rejeito): restos de comida, cascas, borra de café, papel higiênico, guardanapos e fraldas.

O lixo seco vai para a coleta seletiva da sua cidade ou para um ponto de entrega voluntária. O úmido vai para a coleta comum ou, melhor ainda, para a compostagem.

As cores da coleta seletiva

No Brasil, as cores das lixeiras seguem um padrão nacional (Resolução Conama nº 275/2001). Vale a pena conhecer, porque elas aparecem em escolas, empresas, condomínios e espaços públicos:

  • Azul: papel e papelão
  • Vermelho: plástico
  • Verde: vidro
  • Amarelo: metal
  • Marrom: resíduos orgânicos
  • Preto: madeira
  • Laranja: resíduos perigosos, como pilhas e baterias
  • Branco: resíduos de serviços de saúde
  • Roxo: resíduos radioativos
  • Cinza: lixo não reciclável

O que pode e o que não pode ser reciclado

Papel

Pode: jornais, revistas, folhas, cadernos, caixas de papelão e embalagens longa vida (caixinhas de leite e suco).
Não pode: papel higiênico, guardanapos e lenços usados, papel engordurado (como caixa de pizza suja), fotografias e papel carbono.

Plástico

Pode: garrafas PET, potes, embalagens de produtos de limpeza e higiene, sacolas, tampas e canos.
Não pode: embalagens metalizadas (como as de salgadinho e biscoito), esponjas e adesivos.

Vidro

Pode: garrafas, potes e frascos.
Não pode: espelhos, vidros de janela e de box, lâmpadas, louças, cerâmicas e pirex, que têm composição diferente.

Metal

Pode: latas de bebida e de alimentos, tampas, papel-alumínio limpo, pregos e panelas sem cabo.
Não pode: latas de tinta e de inseticida com resto do produto, que são resíduos perigosos.

Descarte especial: o que nunca vai no lixo comum

Alguns materiais contaminam o solo e a água e precisam de um destino próprio. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) criou a logística reversa: fabricantes e lojas são responsáveis por receber de volta vários desses produtos.

  • Pilhas e baterias: leve aos coletores de supermercados, farmácias e lojas de eletrônicos.
  • Celulares, computadores e eletrônicos: procure pontos de coleta de lojas e fabricantes. Antes, apague seus dados.
  • Lâmpadas: as fluorescentes têm mercúrio. Entregue inteiras, embrulhadas, nos pontos de coleta de lojas de material de construção.
  • Óleo de cozinha: nunca jogue na pia. Uma pequena quantidade pode contaminar milhares de litros de água. Guarde em uma garrafa PET fechada e entregue em pontos de coleta; muitos viram sabão.
  • Remédios vencidos: não jogue no lixo nem no vaso sanitário. Muitas farmácias têm coletores próprios.
  • Entulho, móveis e podas: em São Paulo, os Ecopontos da Prefeitura recebem esses materiais gratuitamente, e o serviço Cata-Bagulho recolhe móveis velhos nos bairros. Informe-se pelo telefone 156.
  • Roupas e calçados: o que está em bom estado pode ser doado. O que não serve mais pode ir para pontos de coleta têxtil.

Dicas que fazem a diferença

  • Esvazie e passe uma água: não precisa lavar com detergente. Use a água que sobrou da louça para não desperdiçar.
  • Amasse e achate: garrafas e caixas amassadas ocupam menos espaço.
  • Vidro quebrado: embrulhe em jornal ou coloque em uma caixa e escreva "vidro quebrado", para proteger quem faz a coleta.
  • Seringas e agulhas: coloque em uma garrafa PET bem fechada e entregue em uma unidade de saúde.
  • Saiba o dia da coleta: coloque o reciclável na calçada só no dia e no horário em que o caminhão passa.

Os catadores: os grandes agentes da reciclagem

Grande parte do que é reciclado no Brasil passa pelas mãos de catadores e cooperativas. Separar bem o lixo é também um gesto de respeito e cuidado com quem trabalha com ele. Se puder, entregue seus recicláveis diretamente a uma cooperativa ou a um catador do seu bairro, cumprimente, valorize esse trabalho.

E o lixo orgânico? Compostagem

Cerca de metade do lixo de uma casa é orgânico. Com uma composteira doméstica, que pode ser feita com baldes e caber até em apartamento, cascas de frutas, legumes e borra de café viram adubo para plantas. Menos lixo para o aterro e mais vida para a terra.

Para refletir

Cuidar do planeta é também uma forma de amor ao próximo: às pessoas que vivem perto dos lixões, aos catadores, às próximas gerações. Pequenos gestos repetidos todos os dias, em milhões de casas, transformam cidades inteiras.

Que tal começar hoje? Separe duas lixeiras, combine com a família e descubra o dia da coleta seletiva na sua rua.

Perguntas frequentes

Preciso lavar as embalagens antes de reciclar?

Não precisa lavar com detergente. Basta esvaziar e passar uma água, de preferência a que sobrou da louça, para tirar os restos de comida.

Onde descartar óleo de cozinha usado?

Nunca na pia. Espere esfriar, guarde em uma garrafa PET bem fechada e entregue em um ponto de coleta, como supermercados, escolas ou ecopontos.

Pilhas e baterias podem ir no lixo comum?

Não. Elas têm metais que contaminam o solo e a água. Leve aos coletores de supermercados, farmácias e lojas de eletrônicos.

Isopor é reciclável?

O isopor é reciclável, mas poucos lugares o recebem. Separe-o limpo junto com o plástico e confira com a coleta seletiva da sua cidade.

Fontes e leitura recomendada

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